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A Meteorologia e a Climatologia


O recém criado Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC) resulta da fusão dos “velhos” Observatório Astronómico (OAUC) e Instituto Geofísico (IGUC), este último vocacionado, entre outras valências, para a Meteorologia e Climatologia. As observações de variáveis climático-meteorológicas - radiação solar, temperatura, humidade, precipitação, vento, etc. - são obtidas numa estação meteorológica instalada nas traseiras do edifício principal, rigorosamente de acordo com normas definidas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) para que os dados tenham a devida validação científica. Tão importante como a qualidade científica dos dados é, também, a sua representatividade espacial, ditada pela localização da estação meteorológica. O IGUC localiza-se no setor oriental da cidade de Coimbra, a 141 metros de altitude, nas proximidades do Penedo da Saudade, na Cumeada, um interflúvio que se ergue abruptamente mais de 100 metros acima do nível de um “meandro abandonado” do Mondego, que constitui a maior parte do setor meridional da aglomeração urbana, topograficamente deprimido e amplamente urbanizado (Solum, Vale das Flores, etc.). Foi estabelecido nesta localização em 1863/64 e as observações meteorológicas iniciaram-se em maio de 1864, mas só a partir de 1866 com caráter regular. Corresponde-lhe, assim, uma série temporal de dados climáticos de quase 150 anos - só superada pela série do Instituto Geofísico Infante D. Luís (IGIDL), em Lisboa, que iniciou o seu funcionamento em 1854 - o que, por si só, atesta a importância do IGUC no contexto da rede de estações meteorológicas de Portugal (e, até, europeias). Anos depois, em 1946, foi criado o Serviço Meteorológico Nacional (SMN), integrando todas as estações meteorológicas dispersas pelo território, inclusivamente a do IGUC, tuteladas por um único organismo, centralizado em Lisboa - Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) em 1976, Instituto de Meteorologia (IM) em 1993, Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) desde 2012. Em abril de 1996, a estação meteorológica do IGUC deixa de fazer parte da rede de estações meteorológicas oficiais do IM, sendo a estação oficial deslocalizada para Cernache, nos arredores de Coimbra, sensivelmente 10 quilómetros a SW do IGUC, continuando, porém, o IGUC, sob tutela da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC), a proceder a observações meteorológicas. Os dados oficiais das condições meteorológicas de Coimbra passam, a partir dessa altura, a ser ditados pelas observações de Cernache que, em rigor, não correspondem aos dados observados no IGUC. A sua interpretação, no entanto, depende da escala de análise climática em que se enquadra a representatividade espacial das estações meteorológicas utilizadas como referência. À escala regional (mesoclimática), em que os principais fatores de diferenciação climática são deter- -minados pelas características térmicas, higrométricas e dinâmicas das massas de ar, estações meteorológicas a semelhante altitude e distância ao mar, espaçadas entre si uma dezena de quilómetros, como é o caso de Cernache e IGUC, acabam por representar satisfatoriamente o clima regional, não obstante os contrastes espaciais de variáveis climáticas que, inevitavelmente, apresentam, mas que são mitigados pelos parâmetros de tendência central que caracterizam o clima. À escala do clima local (topoclima), em que os fatores determinantes de diferenciação espacial das variáveis climáticas se prendem com as características do espaço geográfico, como o tipo de ocupação do solo, a altitude e a topografia, a representatividade espacial de cada uma das estações meteorológicas é fortemente restringida. A esta escala de análise, a estação meteorológica do IGUC não é representativa, sequer, do clima da aglomeração urbana de Coimbra no seu todo. A temática do clima de Coimbra, tanto à escala mesoclimática, como à escala da topoclimatologia urbana, tem sido amplamente estudada e demonstrada, nas duas últimas décadas, por investigadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da UC, em estreita colaboração com o IGUC e recorrendo às séries suprasseculares de dados climáticos dos seus arquivos. Independentemente da agregação do OAUC e do IGUC no “novo” OGAUC, a manutenção da localização da estação meteorológica na Cumeada e a continuidade do seu funcionamento regular são imprescindíveis para a investigação climático-meteorológica em Coimbra e sobre o clima de Coimbra (e de Portugal), a diferentes escalas de análise, assegurando, sobretudo, a homogeneidade de uma série de dados de observação de quase 150 anos, de grande relevância em qualquer país do Mundo e para qualquer instituição que contemple a investigação no domínio das Ciências da Terra e da Atmosfera, como é o caso da UC.

* Nuno Ganho, Professor Associado do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Para o estudo da climatologia - a evolução das condições atmosféricas a longo prazo (anos a séculos) - é muito importante a existência de longas séries de dados. No IGUC recolhemos dados, no mesmo local, continuamente, desde 1864.

A nossa estação é uma das poucas a ter, no mesmo local, instrumentos clássicos, analógicos, e duas modernas estações automáticas digitais que nos permitem calibrar os dados mais antigos.

met3

Anemómetro

 

 

met4

Termómetro de relva

met6

Estação automática

met5

Heliógrafo

 

 

Dados disponíveis online

Valores climatológicos e actinométricos normais (1961/1990)

Valores climatológicos e actinométricos normais (1971/2000)

 

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Dados disponíveis em CD-ROM

Boletim Meteorológico Mensal (1996/2001)

 

 

   
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